# ID 128 - Custo-Efetividade da Terapia Preemptiva versus Terapia Empírica para Manejo de Infecções Fúngicas Invasivas em Pacientes com Neutropenia Febril no Sistema Único de Saúde

**Authors:** Luiza Ikeda Seixas Cardoso, Daniel da Silva Pereira Curado, Juliana Machado-Rugolo, Ricardo de Souza Cavalcante

PMC · DOI: 10.5327/2237-9622.2025.v34s1.128 · Epidemiologia e Serviços de Saúde : Revista do Sistema Unico de Saúde do Brasil · 2025-11-25

## TL;DR

This study compares the cost-effectiveness of preemptive versus empirical antifungal therapy for managing fungal infections in patients with febrile neutropenia in Brazil's public health system.

## Contribution

The study provides new evidence that preemptive antifungal therapy is more cost-effective than empirical therapy in the Brazilian public health context.

## Key findings

- Preemptive therapy resulted in higher survival (91.2%) compared to empirical therapy (89.5%).
- Preemptive therapy saved an estimated R$ 508.30 per patient compared to empirical therapy.
- 91.23% of simulations in probabilistic analysis showed preemptive therapy was below the willingness-to-pay threshold.

## Abstract

As infecções fúngicas invasivas (IFI) são uma importante complicação em pacientes com neutropenia febril (NF). Com o uso de antifúngicos profiláticos, a aspergilose invasiva tornou-se uma das principais IFI neste cenário clínico. Há duas formas de manejo destes pacientes. Uma delas é a terapia empírica, em que se introduz antifúngicos nos pacientes com NF com duração maior ou igual a quatro dias em uso de antibióticos de amplo espectro. Outra estratégia é a preemptiva, na qual se utiliza de biomarcadores (dosagem de galactomanana (GMN) e o teste molecular da reação em cadeia da polimerase (PCR) para um diagnóstico precoce e dirigido e uso mais restrito de antifúngicos. Um dos pontos centrais acerca da estratégia preemptiva são os custos que esta abordagem pode acarretar. Os testes de GMN e PCR apresentam custos diretos mais elevados que os exames rotineiros nos laboratórios e necessitam ser realizados de forma seriada. Esta condição leva a uma dúvida sobre a viabilidade econômica da incorporação destas tecnologias. Por outro lado, a terapia preemptiva permite um uso mais restrito de antifúngicos, o que leva a uma redução significativa de gastos e evita a resistência destes antimicrobianos. Portanto, o objetivo foi comparar a custo-efetividade do manejo empírico vs o preemptivo para infecções fúngicas invasivas em pacientes com neutropenia febril, na perspectiva do sistema público de saúde brasileiro.

Foi utilizado um modelo analítico de árvore de decisão, com um horizonte temporal de um ano, que teve como população-alvo os pacientes com idade acima de 18 anos, com neoplasias hematológicas e neutropenia febril. Para a estratégia preemptiva, foi considerado o monitoramento combinado com dosagem sérica GMN e pesquisa de Aspergillus spp por PCR. Os dados de desfechos e parâmetros clínicos para cada uma das estratégias avaliadas foram obtidos de estudos prévios publicados para a construção do modelo analítico. A medida de efetividade foi ano de vida salva. Os custos foram coletados em reais, obtidos da tabela de custos do SUS (Sigtap) e da média ponderada das compras realizadas nos últimos 18 meses pelas instituições públicas do Brasil e não foram aplicados ajustes pela inflação. Uma análise de sensibilidade determinística de uma via e uma probabilística, pela simulação de Monte Carlo de segunda ordem, foi realizada para avaliar as variações do modelo.

O modelo analítico estimou uma sobrevida de 91,2% nos pacientes manejados de forma preemptiva comparados a 89,5% na empírica. A estratégia preemptiva (R$ 14.908,80) gerou um custo final por paciente menor que a empírica (R$ 15.417,10). A razão de custo-efetividade incremental (RCEI) foi -R$ 28.238,89/ano de vida salva. A análise de sensibilidade determinística mostrou que todas as variações encontravam-se abaixo da disposição a pagar. Na análise probabilística, 91,23% das 10 mil simulações ficaram abaixo da disposição a pagar.

Um importante achado deste estudo foi o menor custo final na estratégia preemptiva, que permitiu uma economia estimada de R$ 508,30 por paciente. Um resultado semelhante foi encontrado por outros autores, como Barnes e colaboradores, que avaliaram a custo-efetividade na perspectiva do sistema de saúde pública do Reino Unido, e encontraram uma economia de £ 740,64. Este estudo demonstra que a estratégia preemptiva foi mais custo-efetiva que a empírica, o que permite sua incorporação no sistema de saúde pública do Brasil.

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Source: https://tomesphere.com/paper/PMC12806645