Ablação Septal Alcoólica no Brasil: Insights do Registro BRASA
Maria Antonieta Albanez A. de Medeiros Lopes, Mayara Viana, Júlia Nóbrega, Heitor N. Albanez A. de Medeiros, Gláucia Maria Moraes de Oliveira, Maria Antonieta Albanez A. de Medeiros Lopes, Mayara Viana, Júlia Nóbrega, Heitor N. Albanez A. de Medeiros

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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TopicsCardiomyopathy and Myosin Studies · Cardiovascular Effects of Exercise
O Registro Multicêntrico Brasileiro de Ablação Septal Alcoólica (Registro BRASA), publicado na ABC Cardiol, representa uma contribuição fundamental para a compreensão da segurança, eficácia e aplicabilidade da Ablação Septal Alcoólica (ASA) no Brasil – um país com disparidades na saúde e uma alta prevalência de doenças cardiovasculares.^1^ Este registro fornece dados sem precedentes sobre os resultados da ASA em centros brasileiros, reforçando seu papel como uma alternativa viável à miotomia cirúrgica na cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva (CMHO).
A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é um distúrbio cardíaco hereditário comum, historicamente associado à alta morbidade e mortalidade.^2^ No entanto, avanços em imagem diagnóstica, terapias farmacológicas e técnicas intervencionistas transformaram a CMH em uma condição tratável, com muitos pacientes agora alcançando expectativa de vida quase normal.^3^ Nas últimas duas décadas, as taxas de mortalidade diminuíram dramaticamente – de 6% para 0,5% ao ano – em grande parte devido à estratificação precoce de risco, desfibriladores cardioverter implantáveis e terapias de redução septal.^3^
Apesar desses avanços, as disparidades regionais persistem. Uma série histórica brasileira (2010–2020) revelou maior mortalidade relacionada à CMH no Nordeste e Sudeste, particularmente entre homens brancos e pardos com mais de 40 anos.^4^ Esses achados destacam a necessidade de protocolos padronizados para melhorar o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento – uma lacuna que o Registro BRASA busca abordar.
Para pacientes com CMHO sintomática refratária à terapia médica, a redução septal continua sendo a pedra angular do tratamento.^5,6^ Existem duas abordagens principais: a miotomia cirúrgica (o padrão ouro) oferece redução imediata e durável do gradiente, mas requer centros altamente especializados; e a ASA, uma alternativa menos invasiva, induz infarto controlado do septo hipertrófico, levando a remodelação gradual e alívio dos sintomas.^5,6^ Embora a miotomia seja preferida para pacientes mais jovens com anatomia complexa, desde sua introdução em 1995 por Sigwart et al., a ASA emergiu como uma alternativa atraente tanto para pacientes quanto para médicos.^7^ O número de procedimentos realizados aumentou rapidamente, superando o número de cirurgias realizadas anualmente em todo o mundo. Essa mudança foi impulsionada por sua natureza minimamente invasiva e resultados semelhantes a curto e médio prazo em comparação com procedimentos cirúrgicos em centros de excelência, como evidenciado por coortes de pacientes, registros e meta-análises, embora ensaios randomizados comparando as duas intervenções sejam escassos.^8^ No entanto, preocupações permanecem quanto às taxas mais altas de bloqueio átrio ventricular total (10–15%) e potencial arritmogênico devido à cicatrização septal. Vale ressaltar que o fator determinante para ter bons resultados com ambos os procedimentos é a experiência dos centros.^5,6^
O Registro BRASA incluiu um total de 41 pacientes realizados em quatro centros de referência terciária no Brasil. A idade média foi de 66,4 anos e 73% eram mulheres. Na linha de base, 93,2% estavam na classe NYHA III/IV ou classe CCS III/IV, com uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo média de 66,4% e um gradiente médio do trato de saída do ventrículo esquerdo (TSVE) de 88,4 mmHg. Aos 12 meses, 92,8% melhoraram para NYHA I/II ou CCS I/II (p < 0,01). O gradiente médio do TSVE diminuiu de 88,4 mmHg para 27,0 mmHg (p = 0,003), e a espessura do septo interventricular (SIV) foi reduzida de 19,3 mm para 14,7 mm (p = 0,048). Os respondedores tiveram gradientes basais mais baixos (73,4 vs. 112,6 mmHg, p = 0,04) e menos hospitalizações (21,1% vs. 82,4%, p = 0,04). O bloqueio atrioventricular completo ocorreu em 16,7% dos pacientes, com 4,8% necessitando de implantação de marca-passo permanente. Nenhuma mortalidade foi observada após um seguimento médio de 394 dias, e 78,4% permaneceram na classe funcional I/II na última avaliação médica presencial.
Os resultados do registro BRASA são encorajadores. A ASA demonstrou ser um tratamento seguro e eficaz para aliviar os sintomas da CMHO), com uma redução significativa no gradiente de pressão do TSVE e na espessura do SIV. Notavelmente, 73% dos pacientes apresentaram uma resposta positiva ao procedimento, com melhora na classe funcional NYHA e redução nas hospitalizações durante o acompanhamento. O estudo também identificou um gradiente basal do TSVE inferior a 105 mmHg como um potencial preditor de resultados favoráveis. Esse achado destaca a importância da seleção cuidadosa de pacientes para otimizar os resultados do procedimento. Finalmente, a ASA provou ser segura, com baixas taxas de complicações e nenhuma mortalidade observada.
A técnica da ASA melhorou nas últimas décadas, incorporando ecocardiografia guiada por contraste e volumes de injeção de álcool menores, o que reforça a necessidade de discussão e apresentação de tais resultados à comunidade médica de cardiologia.^8–10^
Apesar dos avanços, o subdiagnóstico e os encaminhamentos atrasados persistem devido ao acesso limitado a centros especializados em CMH e à heterogeneidade na infraestrutura de saúde regional.^4^ O Registro BRASA sublinha a importância de equipes multidisciplinares de CMH para orientar decisões de tratamento, técnicas de ASA guiadas por contraste para minimizar complicações e registros de longo prazo para acompanhar resultados em populações diversas.
A conclusão deste manuscrito é que o Registro BRASA fornece insights valiosos sobre o papel da ASA no manejo da CMHO brasileira, demonstrando alívio significativo dos sintomas e redução do gradiente com um perfil de segurança favorável. Embora a miotomia cirúrgica permaneça preferida para casos complexos, a ASA oferece uma alternativa menos invasiva para pacientes cuidadosamente selecionados.
Avançando, expandir o acesso a terapias de redução septal e implementar registros nacionais de CMH será crucial para reduzir disparidades e melhorar os resultados em todo o país. O Registro BRASA marca um passo importante nessa direção, alinhando os dados brasileiros com padrões globais de atendimento à CMH.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
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