Função Endotelial e Hipertensão Arterial
Rui Póvoa, Rui Póvoa

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
Peer Reviews
No public reviews on file for this paper yet. If you reviewed it on a platform where reviews are public (OpenReview, ICLR, NeurIPS, ICML), you can paste yours below so the community can read it here.
Videos
No videos yet. Explain this paper in a talk, walkthrough, or lecture? Add one.
Taxonomy
TopicsCardiovascular Health and Disease Prevention · Blood Pressure and Hypertension Studies · Cerebrovascular and Carotid Artery Diseases
Há alguns anos acreditava-se que o endotélio era simplesmente o revestimento interno dos vasos representando uma simples barreira mecânica. Hoje são profundas as evidências da importância desta fina camada de células na regulação do tônus vascular, e em diversas outras funções, principalmente no crescimento celular, interação entre leucócitos, inflamação tecidual e síntese de substâncias vaso reguladoras.^ 1 ^ A regulação do tônus vascular envolve a via de sinalização do óxido nítrico (NO) com fortes propriedades vasodilatadoras, anti-inflamatórias e antioxidantes.^ 2 ^
Um endotélio saudável é importante para uma boa homeostase vascular, visto que a disfunção endotelial desempenha um papel significativo na patogênese de muitas doenças tais como a hipertensão arterial e pulmonar, cardiomiopatias, vasculites e de forma bastante objetiva na formação da aterosclerose.^ 3 , 4 ^ A biodisponibilidade do NO é considerada como um dos fatores críticos no paciente hipertenso, inclusive em fases iniciais da doença e não só no evento final da disfunção que é a aterosclerose.
A disfunção endotelial está diretamente correlacionada com os eventos cardiovasculares, e a detecção e quantificação se tornam necessárias. Atualmente, a recuperação da integridade vascular se tornou também um novo alvo terapêutico no vasto complexo do grupo de fatores de risco da aterosclerose. Assim, uma estratégia para a avaliação da função endotelial pode fornecer maiores detalhes na prevenção de eventos cardiovasculares. Vários métodos não invasivos foram desenvolvidos, entre os quais a vasodilatação mediada por fluxo (DMF) da artéria braquial, que é a prática mais utilizada na clínica podendo avaliar alterações desde as fases iniciais.^ 5 , 6 ^
Neste trabalho elegante de Tessier et al.^ 7 ^ foi avaliada a função endotelial utilizando a DMF em pacientes hipertensos e se compararam diversos parâmetros laboratoriais nos grupos de hipertensos resistentes e não resistentes.^ 7 ^ Encontraram correlação significativa e positiva entre DMF com o LDL-colesterol e os triglicerídeos. Este tipo de ideia é bastante interessante, pois analisando uma mesma doença, ou fator de risco bem pontual associado, podemos evidenciar outros parâmetros agravantes do risco cardiovascular. Além do mais a avaliação da DMF da artéria braquial tem boa correlação com a função endotelial das artérias coronárias e quando comprometida se associa com a incidência de eventos coronarianos em longo prazo.^ 8 ^
Isto foi estudado por Matsuzawa et al. em uma metanálise onde os diversos testes de função endotelial não invasivos, inclusive a DMF previam significantemente eventos cardiovasculares, e todos com magnitude prognóstica semelhante.^ 9 ^
Alguns estudos avaliaram a disfunção endotelial na hipertensão arterial, porém os mecanismos envolvidos são bastante complexos devido à associação de doenças também consideradas inflamatórias como a diabetes e as dislipidemias. Em todos estes processos patológicos a relação com o estresse oxidativo é intensa, ocorrendo redução do NO.^ 10 ^
Neste estudo de Tessier et al.^ 7 ^ as alterações lipídicas, com o encontro da relação do LDL-colesterol e triglicérides com a disfunção endotelial reforça o conceito de que perturbações decorrentes destes estímulos se devem à diminuição da produção de NO e proporções desequilibradas de substâncias vasodilatadoras/vasoconstritoras endoteliais.^ 7 ^ Esses desvios são precursores de aumento do risco cardiovascular e sinalizam o início da formação da placa gordurosa. Diversos estudos já mostraram de forma bem evidente que esta lipoproteína de baixa densidade e os triglicérides são fatores de risco bem estabelecidos.^ 11
13 ^
As alterações lipídicas induzem a disfunção endotelial ao intensificar a inflamação e o estresse oxidativo, que é o passo inicial para a aterosclerose, e podem resultar nas complicações cardiovasculares já bem estabelecidas como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral.^ 14 ^
No paciente hipertenso seja resistente ou não, a associação destes outros fatores que agridem o endotélio podem ser o início ou acelerar um processo aterosclerótico inicial e evoluir para as grandes complicações vasculares. Apesar de não ser simples as interrelações destes componentes lipídicos e hipertensivos, é importante interromper este processo com o tratamento adequado das diversas comorbidades, atingindo as metas preconizadas nas diretrizes. Seguramente a via final comum da intervenção é a melhora da função endotelial.
Infelizmente, a hipertensão arterial continua sendo uma crise de saúde global, ainda configurando o principal fator de risco modificável no desenvolvimento e progressão das doenças cardiovasculares. Apesar de existirem diversas classes de anti-hipertensivos eficientes e seguros a maioria dos hipertensos não atingem a meta pressórica desejável. Estratégias destinadas ao diagnóstico e prevenção da disfunção endotelial e da redução da produção de NO com certeza terão um impacto positivo na saúde na maioria dos hipertensos.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Deanfield JE Halcox JP Rabelink TJ Endothelial Function and Dysfunction: Testing and Clinical Relevance Circulation 2007115101285129510.1161/CIRCULATIONAHA.106.65285917353456 · doi ↗ · pubmed ↗
- 2Cyr AR Huckaby LV Shiva SS Zuckerbraun BS Nitric Oxide and Endothelial Dysfunction Crit Care Clin 202036230732110.1016/j.ccc.2019.12.00932172815 PMC 9015729 · doi ↗ · pubmed ↗
- 3Rajendran P Rengarajan T Thangavel J Nishigaki Y Sakthisekaran D Sethi G et al The Vascular Endothelium and Human Diseases Int J Biol Sci 20139101057106910.7150/ijbs.750224250251 PMC 3831119 · doi ↗ · pubmed ↗
- 4Gimbrone MA Jr García-Cardeña G Endothelial Cell Dysfunction and the Pathobiology of Atherosclerosis Circ Res 2016118462063610.1161/CIRCRESAHA.115.30630126892962 PMC 4762052 · doi ↗ · pubmed ↗
- 5Celermajer DS Sorensen KE Gooch VM Spiegelhalter DJ Miller OI Sullivan ID et al Non-Invasive Detection of Endothelial Dysfunction in Children and Adults at Risk of Atherosclerosis Lancet 199234088281111111510.1016/0140-6736(92)93147-f 1359209 · doi ↗ · pubmed ↗
- 6Ghiadoni L Salvetti M Muiesan ML Taddei S Evaluation of Endothelial Function by Flow Mediated Dilation: Methodological Issues and Clinical Importance High Blood Press Cardiovasc Prev 2015221172210.1007/s 40292-014-0047-224619864 · doi ↗ · pubmed ↗
- 7Tessier EAS Harris RA Daltro C Martins E Netto Doria GMA Peredo AJG et al Endothelial Function by Flow-Mediated Dilation (FMD) in the Brachial Artery in Hypertensive Patients Arq Bras Cardiol 20251225 e 2024053310.36660/abc.20240533 i 40465902 PMC 12108117 · doi ↗ · pubmed ↗
- 8Sancheti S Shah P Phalgune DS Correlation of Endothelial Dysfunction Measured by Flow-Mediated Vasodilatation to Severity of Coronary Artery Disease Indian Heart J 201870562262610.1016/j.ihj.2018.01.00830392498 PMC 6205249 · doi ↗ · pubmed ↗
