Reflexões sobre a Triagem Pré-Operatória de ECG para Indivíduos Assintomáticos de Baixo Risco
José Nunes de Alencar, Lafayete Ramos, Valdir Ambrósio Moisés, José Nunes de Alencar, Lafayete Ramos, Valdir Ambrósio Moisés

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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TopicsCardiac, Anesthesia and Surgical Outcomes · Hemodynamic Monitoring and Therapy · Cardiac Imaging and Diagnostics
Li com interesse o estudo de Ramos et al. sobre a "Importância Prognóstica do Eletrocardiograma Pré-operatório em Pacientes de Baixo Risco Submetidos à Intervenção Cirúrgica sob Anestesia Geral".^1^ Os esforços dos autores para esclarecer a eficácia preditiva da eletrocardiografia (ECG) pré-operatória em uma população que parece ter um perfil de baixo risco são louváveis. No entanto, tenho preocupações quanto à metodologia empregada, que pode potencialmente impactar as conclusões do estudo.
Examinar diretamente a hipótese de que um ECG anormal pode servir como preditor de eventos é essencial. Esta análise secundária foi incorporada pelos autores dentro de um subconjunto da população que realizou ECG. Para testar de forma robusta a sua hipótese, a análise primária deveria ter sido se um ECG anormal é um preditor de risco aumentado em comparação com os resultados normais do ECG. A implementação desta metodologia produziria uma avaliação mais precisa da capacidade do ECG de prever complicações pós-operatórias.
Em segundo lugar, como um estudo randomizado e prospectivo, a adesão às diretrizes de notificação estabelecidas, como CONSORT^2^ ou SPIRIT^3^ é imperativo. Essas checklists defendem uma descrição metodológica transparente em relação à seleção dos pacientes, randomização, alocação e definição de desfechos primários e secundários. A falta de tais detalhes levanta preocupações sobre possíveis vieses de seleção e indicação.^4,5^ Por exemplo, selecionar inadvertidamente pacientes para eletrocardiogramas (ECGs) com base em avaliações pré-operatórias subjetivas que os colocam em um perfil de risco ligeiramente mais elevado poderia introduzir ambos os vieses.
Além disso, sem um poder de investigação predefinido e um nível alfa convencional, é um desafio determinar o tamanho da amostra necessário para obter significância estatística. A falta de definições para análise do tamanho da amostra, beta e alfa neste estudo restringe a capacidade de formulação de conclusões definitivas. Além disso, a clareza quanto ao manejo de pacientes com achados anormais no ECG é crucial para a replicação dos resultados em diferentes centros. Esta informação serve para apoiar a generalização dos resultados do estudo e orientaria a prática clínica.
Considerando os fatores acima mencionados, respeitosamente tenho opinião divergente em relação à conclusão do estudo de que o ECG pré-operatório não contribui para o prognóstico de complicações pós-operatórias em pacientes com 50 anos ou mais submetidos à cirurgia com anestesia geral sem quaisquer condições médicas importantes. Do meu ponto de vista, a metodologia utilizada na pesquisa não consegue fundamentar suficientemente esta conclusão. Uma abordagem mais apropriada envolveria uma avaliação prospectiva de pacientes com ECGs normais e anormais, calculando diferenças nas razões de risco. Em contraste, um desenho prospectivo randomizado poderia produzir resultados mais conclusivos, atribuindo aleatoriamente pacientes que apresentam eletrocardiogramas (ECGs) anormais ao tratamento padrão ou a uma terapia guiada por ECG replicável e predeterminada. A implementação de tais metodologias aumentaria a capacidade de distinguir a influência dos resultados do ECG de variáveis adicionais de confusão, proporcionando assim uma avaliação mais precisa da capacidade do ECG de prever resultados pós-operatórios.
A busca de melhorar o atendimento ao paciente por meio de práticas baseadas em evidências implica um compromisso contínuo com a educação e o progresso. É através do discurso acadêmico e de metodologias de pesquisa meticulosas que refinamos nossos protocolos clínicos para atender melhor nossos pacientes.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Ramos L Coutinho AC Rebelato J Ramos MV Elly E Amoedo P Prognostic Value of Preoperative Electrocardiogram in Low-Risk Patients Undergoing Surgical Intervention and General Anesthesia Arq Bras Cardiol 20241211 e 2023009810.36660/abc.2023009838324856 PMC 11098581 · doi ↗ · pubmed ↗
- 2Schulz KF Altman DG Moher D CONSORT 2010 Statement: Updated Guidelines for Reporting Parallel Group Randomised Trials Trials 201011323210.1186/1745-6215-11-3221350618 PMC 3043330 · doi ↗ · pubmed ↗
- 3Chan AW Tetzlaff JM Altman DG Laupacis A Gϕtzsche PC Krleža-JerićK SPIRIT 2013 Statement: Defining Standard Protocol Items for Clinical Trials Ann Intern Med 2013158320020710.7326/0003-4819-158-3-201302050-0058323295957 PMC 5114123 · doi ↗ · pubmed ↗
- 4Infante-Rivard C Cusson A Reflection on Modern Methods: Selection Bias-a Review of Recent Developments Int J Epidemiol 20184751714172210.1093/ije/dyy 13829982600 · doi ↗ · pubmed ↗
- 5Joseph KS Mehrabadi A Lisonkova S Confounding by Indication and Related Concepts Curr Epidemiol Rep 201411810.1007/s 40471-013-0004-y · doi ↗
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- 7Fleisher LA Fleischmann KE Auerbach AD Barnason SA Beckman JA Bozkurt B 2014 ACC/AHA Guideline on Perioperative Cardiovascular Evaluation and Management of Patients Undergoing Noncardiac Surgery: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines J Am Coll Cardiol 201464227713710.1016/j.jacc.2014.07.94425091544 · doi ↗ · pubmed ↗
