Resposta Cardíaca ao Estresse: Influência da Vortioxetina
Rodrigo Guimarães Vieira de Carvalho, Gustavo Augusto Ferreira Mota, Milene Vitória Sampaio Sobral, Ana Paula Coelho Figueira Freire, Francis Lopes Pacagnelli, Rodrigo Guimarães Vieira de Carvalho, Gustavo Augusto Ferreira Mota, Milene Vitória Sampaio Sobral

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TopicsCardiac Health and Mental Health · Stress Responses and Cortisol · Heart Rate Variability and Autonomic Control
O estresse psicológico é comum e desempenha um papel significativo na adaptação aos desafios ambientais. No entanto, também tem efeitos negativos para a saúde, potencialmente desencadeando transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão.^ 1 ^ As respostas fisiológicas ao estresse desempenham um papel crucial no desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pois as alterações hemodinâmicas, vasculares e imunológicas induzidas pelo estresse estão particularmente envolvidas neste processo.^ 2 ^ O estresse ativa regiões do cérebro que, por meio do sistema nervoso simpático ou hormônios, afetam a função cardíaca. O estresse leve imprevisível crônico (ECMI) aumenta a corticosterona sérica, agravando os perfis lipídicos e acelerando a aterosclerose em roedores.^ 3 ^ O estresse crônico ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumentando os glicocorticoides e as espécies reativas de oxigênio, contribuindo para os distúrbios cardiovasculares.^ 4 ^
Os modelos ECMI simulam depressão em animais, evidenciada pela anedonia, que é reversível com antidepressivos.^ 5 ^ Este modelo animal foi validado e é amplamente utilizado; no entanto, melhorias em estudos que utilizam este modelo podem ser implementadas. Recomenda-se estratificar os animais no grupo ECMI em coortes "resilientes" e "suscetíveis", usar protocolos mais refinados no teste de preferência por sacarose para minimizar artefatos fisiológicos e físicos, avaliar sistematicamente os efeitos não específicos do ECMI e implementar ajustes em testes comportamentais.^ 6 ^ Os pesquisadores observaram que ratos expostos ao ECMI exibiram alterações cardíacas e comportamentais, aumentando o risco de arritmias e infarto.^ 7 ^
Embora os antidepressivos possam afetar o coração, a vortioxetina (VOR) surge como uma opção promissora com efeitos neuroprotetores e cardiovasculares positivos.^ 8 ^ A VOR é um antidepressivo indicado para depressão maior, particularmente quando acompanhada de comprometimento cognitivo. A VOR atua multimodalmente, funcionando como um antagonista dos receptores de serotonina 5-HT3, 5-HT7 e 5-HT1D, um agonista parcial de 5-HT1B, um agonista total de 5-HT1A e um inibidor de transportadores de serotonina.^ 8 ^ Embora o impacto do estresse nas doenças cardiovasculares seja amplamente reconhecido, seus efeitos diretos no miocárdio e o papel dos agentes farmacológicos neste contexto permanecem pouco explorados.
Em publicação recente nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Ozmen et al.^ 9 ^ investigaram os potenciais efeitos do VOR sobre aspectos histopatológicos e imuno-histoquímicos em modelo animal submetido a ECMI. O uso do VOR melhorou alterações histológicas no ventrículo esquerdo, como hiperemia, edema, degeneração gordurosa, degeneração vacuolar, hipereosinofilia, aumento de células mononucleares e hemorragia miocárdica. Também foi demonstrado um potencial efeito cardioprotetor contra apoptose (redução da caspase-3), inflamação (diminuição do NF-κB e aumento da IL-10) e lesão cardíaca (redução da troponina).
Outras avaliações miocárdicas após a administração de VOR devem ser investigadas para confirmar seu efeito cardioprotetor. A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, particularmente a angiotensina 2 e o receptor acoplado ATR-1, foram identificados na hipertrofia cardíaca relacionada ao ECMI em associação com a ativação do sistema nervoso simpático.^ 10 ^ Portanto, estudos futuros são necessários para confirmar o papel do VOR em outros aspectos cardíacos histológicos induzidos pelo estresse.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
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