Desafios e Perspectivas dos Biomarcadores de Fibrose Cardíaca: Do Diagnóstico à Aplicação Clínica
Priscila Portugal dos Santos, Ricardo Luiz Damatto, Priscila Portugal dos Santos, Ricardo Luiz Damatto

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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Taxonomy
TopicsCardiac pacing and defibrillation studies · Cardiac Fibrosis and Remodeling · Cardiovascular Function and Risk Factors
Conforme relatado por Cheng-Mei et al.,^1^ a fibrose miocárdica está presente em diversas doenças cardíacas e pode ter impacto negativo no coração. Ela desempenha papel central na disfunção e falência cardíaca em várias patologias, além de ser forte indicador de desfechos clínicos desfavoráveis e de mortalidade.^2^ No entanto, é essencial reconhecer que a fibrose é um processo complexo e heterogêneo, que em algumas condições cardíacas pode ter papel importante, como após infarto do miocárdio. Nessa situação, a fibrose atua como um mecanismo reparador, substituindo cardiomiócitos mortos por tecido cicatricial. Essa resposta fibrótica inicial é fundamental para evitar a ruptura cardíaca, complicação grave e fatal, que é uma das principais causas de morte em pacientes com infarto agudo do miocárdio.^3^
A fibrose cardíaca caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de componentes da matriz extracelular (MEC), especialmente colágenos, no miocárdio.^4^ É importante compreender que esse processo envolve mais do que apenas a quantidade de colágeno; a caracterização da fibrose inclui também a qualidade do colágeno, a proporção entre os diferentes tipos de fibras e o grau de cross-linking do colágeno.^5^ O colágeno tipo I, predominante na MEC cardíaca e vascular, contribui para a resistência e rigidez do tecido devido à sua estrutura espessa e densa. Já o colágeno tipo III, por ser mais flexível, promove a complacência da MEC. A elasticidade do miocárdio é, determinada pela proporção entre as fibras de colágeno tipo I e tipo III.^2,6^ Além disso, o grau de ligações covalentes entre as microfibrilas, ou seja, o cross-linking, é fator crítico na rigidez das fibras de colágeno, tornando-as mais resistentes à degradação e contribuindo para o enrijecimento do tecido.^2,7^ Portanto, para melhor compreensão do processo de fibrose cardíaca, e desenvolvimento de novas terapias e métodos diagnósticos, é fundamental avaliar a quantidade, a qualidade e o grau de cross-linking do colágeno.
Embora a fibrose miocárdica seja um elemento comum entre diversas doenças cardíacas, os métodos atuais para sua detecção e diagnóstico clínico ainda são limitados e carecem de melhorias quanto à sensibilidade e especificidade.^2^ Para avaliação clínica, a biópsia endomiocárdica (BEM) é considerada o padrão-ouro, permitindo uma análise direta e específica da deposição de colágeno por meio de técnicas histológicas, como coloração com picrosirius red ou tricrômico de Masson em amostras de biópsia. Apesar de o procedimento ter baixo risco de complicações graves, é invasivo e envolve desafios para a triagem de fibrose em grandes populações, além de limitações de representatividade, devido ao pequeno volume de tecido examinado e possíveis erros de amostragem.^2,8^
Parâmetros obtidos por técnicas de imagem apresentam certas vantagens em relação à BEM, sendo métodos não invasivos, capazes de avaliar o coração inteiro e adequados para monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento. Entretanto, os biomarcadores de imagem apresentam resolução relativamente baixa e uma capacidade limitada de discriminar características específicas do tecido.^2,5^
Nesse cenário, a análise de biomarcadores circulantes tem se destacado como estratégia promissora, que apresenta boa reprodutibilidade, pode ser implementado para grandes populações mais facilmente, e é independente do operador. Isso a torna útil para triagem populacional, acompanhamento da progressão da doença e eficácia terapêutica ao longo do tempo. Apesar de muitos biomarcadores terem sido propostos nos últimos anos, poucos apresentam resultados consistentes e validação robusta que sustentem sua implementação em ensaios clínicos e na prática clínica. É provável que a complexidade e heterogeneidade da fibrose miocárdica exijam o uso de painéis de múltiplos biomarcadores para melhorar a precisão diagnóstica.^2^ Nesse contexto, abordagens de bioinformática, como a utilizada no estudo,^1^ desempenham um papel essencial na triagem inicial e identificação de potenciais biomarcadores de fibrose cardíaca, enquanto técnicas de proteômica e peptidômica são fundamentais para validar esses candidatos e investigar sua aplicabilidade clínica.^2,9,10^
Outro aspecto relevante é analisar se a capacidade diagnóstica e preditiva desses biomarcadores, bem como a avaliação de custo-efetividade, em comparação com os biomarcadores convencionais,^11^ é melhor. Após essa etapa, é essencial propor novas tecnologias em saúde para que os avanços sejam efetivamente transferidos para a prática clínica em benefício dos pacientes.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Cheng-Mei W Luo G Liu P Ren W Yang S Biomarcadores Potenciais na Fibrose Miocárdica: Uma Análise Bioinformática Arq Bras Cardiol 202412112 e 2023067410.36660/abc.2023067439699450 PMC 11634303 · doi ↗ · pubmed ↗
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