Aspectos Atuais da Fibrilação Atrial no Estudo ELSA-Brasil
Victor Sarli Issa, Alfredo José Mansur, Victor Sarli Issa, Alfredo José Mansur

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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Taxonomy
TopicsAtrial Fibrillation Management and Outcomes · Cardiac pacing and defibrillation studies · Cardiac Imaging and Diagnostics
A fibrilação atrial é uma condição clínica associada a manifestações clínicas relevantes, pior prognóstico e aumento de gastos com saúde. A fibrilação atrial não parece ser uma doença homogênea, mas apresenta uma variabilidade significativa em termos de epidemiologia, apresentação clínica, fatores de risco, avaliação do tratamento e prognóstico. Portanto, estudar variações regionais, sociais e étnicas e de alta relevância.^1^
Estima-se que mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo sejam afetadas pela fibrilação atrial^2^ e se espera que a prevalência aumente, já que a população de indivíduos com 65 anos ou mais quase dobrará de 12% em 2010 para uma estimativa de 22% em 2040.^3^ Isso provavelmente trará um ônus adicional para as doenças cardiovasculares e para a fibrilação atrial.^4,5^ Nesse sentido, os dados disponíveis sugerem que a ocorrência da fibrilação atrial no Brasil é pelo menos equivalente à observada em outros países.^6^
É interessante notar que alguns grupos sociais, como afro-americanos e grupos étnicos^7^ originários da Índia, Paquistão, Nepal, Sri Lanka e Bangladesh, que representam mais de 20% da população mundial, parecem ter uma prevalência menor de fibrilação atrial. Possíveis explicações incluem fatores socioeconômicos, menor acesso à assistência médica e determinantes ambientais da saúde; uma base genética foi sugerida, indicando que a menor incidência de fibrilação atrial poderia ser explicada pelo menor tamanho do átrio esquerdo indexado às dimensões corporais^8^ e variações étnicas nos canais iônicos cardíacos.^9^
A apresentação clínica da fibrilação atrial é variável. Atualmente, a fibrilação atrial é categorizada como diagnosticada pela primeira vez (episódios de fibrilação atrial que não foram diagnosticados anteriormente), paroxística (episódios que terminam em 7 dias), persistente (episódios que não terminam em 7 dias) e permanente (episódios para os quais não estão planejadas outras tentativas de restauração do ritmo sinusal). De acordo com diretrizes de sociedades médicas, o diagnóstico de fibrilação atrial exige documentação eletrocardiográfica,^10^ embora a incorporação mais ampla de novas tecnologias, como marca-passos e desfibriladores, smartwatches e outros dispositivos de monitoramento, provavelmente exigirá a incorporação de critérios mais flexíveis, à medida que mais informações sobre essas tecnologias se tornarem disponíveis. O uso de diferentes tecnologias e o acesso desigual a elas, por sua vez, imporão desafios adicionais aos médicos, aos pacientes e à sociedade.
O estudo de Boccalon et al.^11^ resulta de uma coorte prospectiva desenvolvida desde 2008 e incluiu 15.105 homens e mulheres, funcionários públicos de universidades ou instituições de pesquisa em seis capitais brasileiras: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Rio Grande do Sul e Vitória.^11^ Neste estudo, os autores procuraram identificar dados clínicos, eletrocardiográficos e ecocardiográficos associados à ocorrência de fibrilação atrial.
A coorte representa um estrato relativamente específico, ou seja, funcionários públicos de universidades ou instituições de pesquisa das principais cidades. A análise foi limitada à idade de 74 anos, o que pode ter subestimado a frequência da fibrilação atrial: no presente estudo, a prevalência foi de 4,2%, em comparação com mais de 9% em coortes internacionais de indivíduos com mais de 65 anos de idade.^12^
O diagnóstico de fibrilação atrial foi baseado nos relatos dos pacientes e nos registros eletrocardiográficos na linha de base (2008-2010), bem como nos relatos dos pacientes na reavaliação (2012-2014). Embora isso represente um esforço notável dos autores para identificar casos positivos, a ausência de informações dos prontuários médicos, os métodos eletrocardiográficos contínuos e a sub-representação de pacientes doentes e não ativos podem ter reduzido a taxa de detecção.
No estudo ELSA-Brasil, muitos parâmetros eletrocardiográficos e ecocardiográficos foram associados ao aumento da chance de desenvolver fibrilação atrial no seguimento. É interessante notar que esse não foi o caso de algumas variáveis clínicas e epidemiológicas tipicamente associadas ao aumento do risco de fibrilação atrial, como obesidade e hipertensão arterial. O número relativamente limitado de pacientes diagnosticados com fibrilação atrial (número absoluto de 88 indivíduos) pode ter limitado a identificação de diferenças mais sutis.
Nesse contexto, o presente manuscrito^11^ traz contribuições adicionais e pode ser útil a populações que compartilhem características semelhantes aos participantes desse estudo.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
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