Doença Cardíaca Isquêmica e Nível de Renda – Uma Reflexão Acerca de Determinantes Sociais e Estruturais
Otávio Azevedo Bertoletti, Otávio Azevedo Bertoletti

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
Peer Reviews
No public reviews on file for this paper yet. If you reviewed it on a platform where reviews are public (OpenReview, ICLR, NeurIPS, ICML), you can paste yours below so the community can read it here.
Videos
No videos yet. Explain this paper in a talk, walkthrough, or lecture? Add one.
Taxonomy
TopicsCardiovascular Health and Risk Factors · Blood Pressure and Hypertension Studies · Sodium Intake and Health
Determinantes sociais e estruturais da saúde têm ganhado destaque quanto a sua influência na saúde cardiovascular da população. Em recentes publicações, a American Heart Association tem dirigido sua atenção às desigualdades nos cuidados de saúde, mediadas por determinantes sociais (como renda, educação, segurança, local de moradia e vizinhança) e estruturais (acesso à saúde, saneamento básico, ar limpo, ambiente saudável), e seus impactos deletérios na saúde cardiovascular.^1-3^ Discute como implementar ações com potencial para eliminar essas desigualdades no cuidado de saúde que afetam desfavoravelmente a saúde cardiovascular^3^ das populações marginalizadas.^2^ Além disso, aborda estratégias para atingir uma saúde cardiovascular para todos, de forma equânime, com foco no aumento médio da longevidade populacional,^4^ haja vista que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte mundialmente, inclusive no Brasil, liderada pela doença cardíaca isquêmica.^5^
Nessa direção, o estudo transversal de Cerci et al.,^6^ vem a contribuir na análise se um ambiente público propício a caminhadas (walkability) na vizinhança medeia a potencial relação entre nível de renda e doença isquêmica do coração (DIC) de residentes de uma cidade de 1.773.718 habitantes,^7^ inserida num país de renda mediana. Os autores analisaram 26.415 indivíduos da cidade de Curitiba/Brasil, no período entre 2010 e 2017, sendo 96,5% cobertos por plano privado de saúde, diagnosticados com DIC através de exame de imagem de perfusão miocárdica por tomografia computadorizada com emissão única de fótons (SPECT-MPI).
Por meio da geolocalização e cruzamento com dados censitários da região de domicílio identificaram e cruzaram dados de renda, escolaridade e nível de criminalidade. E, assim, analisaram as características socioeconômicas dos participantes. Os autores encontraram uma associação inversa e independente entre nível de renda e prevalência de DIC, odds ratio = 0,91 (IC de 95%: 0,87 a 0,96).
Embora a caminhabilidade, mensurada através da combinação de 4 variáveis – conectividade viária, densidade residencial, densidade comercial e uso misto do solo –, tenha apresentado associação direta com os níveis de renda – os setores censitários de maior renda apresentaram associação com uma maior caminhabilidade 1,79 (IC 95%: 1,49 a 2,08) –, ela não mediou a associação entre nível de renda e DIC (percentual de mediação= -0,3%).
Secundariamente, este estudo corroborou os dados da literatura,^8^ demonstrando significância estatística na relação entre nível de renda e prevalência de fatores de risco. Identificaram que quanto menor a renda, maior a prevalência de pessoas fisicamente inativas, tabagistas, hipertensas e com diabetes.
Em que pese o desenho deste estudo não tenha se fundamentado numa análise probabilística de representação populacional e, portanto, tem limitações na extrapolação de seus resultados para esse fim, os autores evidenciam análises relevantes acerca da saúde de residentes de um grande centro urbano. Concluem que residir em um setor censitário de baixa renda foi independentemente associado a maior prevalência de DIC, independente do sexo. Vizinhanças com estrutura que não favorece a caminhabilidade são ocupadas por pessoas de menor renda, apesar de não ter sido evidenciado que a caminhabilidade possa influenciar a relação entre nível de renda e DIC.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Kershaw KN Magnani JW Roux AV Rivera MC Jackson EA Johnson AE Neighborhoods and Cardiovascular Health: A Scientific Statement From the American Heart Association Circ Cardiovasc Qual Outcomes 202401171 e 00012410.1161/HCQ.000000000000012438073532 · doi ↗ · pubmed ↗
- 2Moise N CenéCW Tabak RG Young DR Mills KT Essien UR Leveraging Implementation Science for Cardiovascular Health Equity: A Scientific Statement From the American Heart Association Circulation 202214619 E 260E 27810.1161/CIR.000000000000109636214131 PMC 12281102 · doi ↗ · pubmed ↗
- 3Agarwala A Patel J Stephens J Roberson S Scott J Beckie T Implementation of Prevention Science to Eliminate Health Care Inequities in Achieving Cardiovascular Health: A Scientific Statement From the American Heart Association Circulation 2023148151183119310.1161/CIR.000000000000117137698007 · doi ↗ · pubmed ↗
- 4Angell SY Mc Connell MV Anderson CA Domingo KB Boyle DS Capewell S The American Heart Association 2030 Impact Goal: A Presidential Advisory From the American Heart Association Circulation 20201419 E 120E 13810.1161/CIR.000000000000075831992057 PMC 8690536 · doi ↗ · pubmed ↗
- 5WHO Global Health Estimates: leading causes of death 2019 [Internet]World Health Organization 2020[cited 2023 Dec 20]Available from https://www.who.int/data/gho/data/themes/mortality-and-global-health-estimates/ghe-leading-causes-of-death
- 6Cerci RJ Silva MM Vitola JV Cerci JJ CC Neto Masukawa M Association of Income Level and Ischemic Heart Disease: Potential Role of Walkability Arq Bras Cardiol 202312011 e 2022084410.36660/abc.2022084438055417 PMC 10697676 · doi ↗ · pubmed ↗
- 7BRASIL Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Censo 2022 [Internet]Rio de Janeiro IBGE 2022[cited Dec 2023]Available from https://censo 2022.ibge.gov.br Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2022
- 8Yusuf S Joseph P Rangarajan S Islam S Mente A Hystad P Modifiable risk factors, cardiovascular disease, and mortality in 155 722 individuals from 21 high-income, middle-income, and low-income countries (PURE): a prospective cohort study Lancet 20203951022679580810.1016/S 0140-6736(19)32008-231492503 PMC 8006904 · doi ↗ · pubmed ↗
