Fatores de Risco para Infecção do Sítio Cirúrgico Pós Cirurgia Cardíaca Pediátrica
Rafael Quaresma Garrido, Cristiane da Cruz Lamas, Rafael Quaresma Garrido, Cristiane da Cruz Lamas

Abstract
Peer Reviews
No public reviews on file for this paper yet. If you reviewed it on a platform where reviews are public (OpenReview, ICLR, NeurIPS, ICML), you can paste yours below so the community can read it here.
Videos
No videos yet. Explain this paper in a talk, walkthrough, or lecture? Add one.
Taxonomy
TopicsCentral Venous Catheters and Hemodialysis · Cardiac, Anesthesia and Surgical Outcomes · Surgical site infection prevention
Infecções após cirurgia cardíaca pediátrica são eventos adversos importantes que podem aumentar a morbidade e a mortalidade nesses pacientes. A maioria dos trabalhos descrevem a incidência de infecção entre 0,5 e 8%, mas alguns estudos em países de renda baixa a média, citam taxas de até 48%.^1-3^ Os principais microrganismos envolvidos são Staphylococcus aureus, estafilococos coagulase -negativa e ocasionalmente Gram negativos hospitalares. Em países de renda alta observa-se o predomínio do Gram positivos de pele, enquanto em países de renda baixa a média ocorre um aumento da frequência dos Gram negativos hospitalares.^1-3^
Há divergências entre os fatores de risco para infecção de cirurgia cardíaca pediátrica, pois são poucos os trabalhos contemplando essa população. Em relação ao pré-operatório ou condições inerentes ao paciente, temos como fatores de risco crianças mais jovens, principalmente com idade abaixo de 12 meses, a presença de imunodeficiências, períodos prolongados de internação pré-operatória e o uso prévio de antimicrobianos (ambos por alterarem a microbiota colonizadora) e a desnutrição. Em relação a pré e pós operatório, temos como fatores de risco a inadequação da antibioticoprofilaxia, quebras da técnica asséptica, tempo elevado de bypass cardiopulmonar(>105 minutos) e clampeamento da aorta (>85 minutos), sangramento excessivo nas primeiras 24h, transfusão sanguínea, reabordagem por sangramento, tórax aberto no pós operatório, ocorrência de infecções nosocomiais (pneumonia e infecções de corrente sanguínea principalmente) e a permanência de dispositivos invasivos como drenos e fios de marcapasso.^1-6^
Os autores do artigo foco deste mini editorial obtiveram três fatores de risco na análise multivariada de seu estudo de centro único (INCOR), caso-controle, na cidade de São Paulo, nos anos de 2011 a 2018, em crianças de 0 a 19 anos incompletos: idade menor que 2 anos, síndrome genética e pontuação na escala de RACHS ≥ 3.^7^ Todos estes fatores já foram descritos em estudos publicados na literatura. Tanto a idade precoce, quanto a presença de síndromes genéticas, levam a estados de imunodeficiência. A primeira por imaturidade do sistema imune e a segunda por alterações na imunidade celular, humoral e na capacidade de fagocitose. A condição genética mais encontrada foi a síndrome de Down. O terceiro fator preditivo foi a pontuação elevada na escala de RACHS, que é um modelo preditor de mortalidade baseado na complexidade dos procedimentos paliativos e corretivos das cirurgias congênitas.^7^ Escores altos estão relacionados a procedimentos complexos, que levam a tempos cirúrgicos prolongados causando um insulto inflamatório maior no pós-operatório.^8^
Foi descrito pelos autores que valores mais elevados de proteína C reativa (PCR-T) no grupo controle foram significantes na análise multivariada, sendo um fator protetor.^7^ A razão para tal efeito protetor seria atividade opsonizante da PCR-T para microrganismos como o Staphylococcus aureus. É bem descrito o aumento da PCR-T, assim como outros marcadores inflamatórios (procalcitonina), após cirurgia cardíaca. Estudos prospectivos observacionais que abordaram a questão mostraram que houve pico da PCR-T cerca de 48 a 72 hs. após o procedimento, mas que não foi possível estabelecer valores que diferenciassem entre infecção e o estado inflamatório neste período.^4,9-11^ Mais estudos são necessários para definir o papel desses marcadores no pós-operatório de cirurgia cardíaca pediátrica.
A fim de reduzir essas infecções alguns autores sugerem a abordagem sistemática das crianças que serão submetidas a cirurgia. É proposto a adoção de bundles, ou conjunto de medidas, que contenham aquelas mais relevantes para prevenção de infecção; são estas: otimização do estado nutricional no pré-operatório, uso correto da antibioticoprofilaxia, o preparo da pele com clorexidina, a troca de luvas pelo cirurgião após esternotomia e antes do fechamento do esterno, o controle glicêmico no pré, intra e pós operatório, a cobertura estéril da ferida operatória por 48 hs, e, por fim, a redução de outras infecções nosocomiais.^2,3,12^
A compreensão desses fatores de risco e a adoção das medidas preventivas é essencial para melhorar os resultados em cirurgia cardíaca pediátrica e reduzir a incidência de complicações infecciosas.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Mangukia CV Agarwal S Satyarthy S Datt V Satsangi D. Mediastinitis following pediatric cardiac surgery J Card Surg 2014291748210.1111/jocs.1224324267786 · doi ↗ · pubmed ↗
- 2Murni IK Mac Laren G Morrow D Iyer P Duke T. Perioperative infections in congenital heart disease Cardiol Young 201727 S 6S 14S 2110.1017/S 104795111700257829198258 · doi ↗ · pubmed ↗
- 3Costello JM Graham DA Morrow DF Morrow J Potter-Bynoe G Sandora TJ Risk factors for surgical site infection after cardiac surgery in children Ann Thorac Surg 201089618331841 discussion 1841-210.1016/j.athoracsur.2009.08.08120494036 · doi ↗ · pubmed ↗
- 4Takahashi Y Ueno K Nakae K Kawamura J Matsuba T Okamoto Y. Preoperative and Intraoperative Risk Factors for Surgical Site Infection in Pediatric Cardiac Surgery Pediatr Infect Dis J 2023421194995310.1097/INF.000000000000403937625108 · doi ↗ · pubmed ↗
- 5Allpress AL Rosenthal GL Goodrich KM Lupinetti FM Zerr DM Risk factors for surgical site infections after pediatric cardiovascular surgery Pediatr Infect Dis J 200423323123410.1097/01.inf.0000114904.21616.ba 15014298 · doi ↗ · pubmed ↗
- 6Fowler AJ Ahmad T Phull MK Allard S Gillies MA Pearse RM Meta-analysis of the association between preoperative anaemia and mortality after surgery Br J Surg 2015102111314132410.1002/bjs.986126349842 · doi ↗ · pubmed ↗
- 7Ribeiro AC Siciliano RF Lopes AA Strabelli TM Risk factors for surgical site infection in patients undergoing pediatric cardiac surgery Arq Bras Cardiol 202312012 e 2022059210.36660/abc.2022059238126444 PMC 10789367 · doi ↗ · pubmed ↗
- 8Cavalcante CT Souza NM Pinto VC Jr Branco KM Pompeu RG Teles AC Analysis of Surgical Mortality for Congenital Heart Defects Using RACHS-1 Risk Score in a Brazilian Single Center Braz J Cardiovasc Surg 201631321922510.5935/1678-9741.2016002227737404 PMC 5062711 · doi ↗ · pubmed ↗
