A Relação entre a Razão Ácido Úrico/Albumina e a Espessura Média-Intimal da Carótida em Pacientes com Hipertensão
Cristian Rodrigues do Nascimento, João Luis Matos Ribeiro, Rodrigo Mendes, Romero Henrique de Almeida Barbosa, Johnnatas Mikael Lopes, Pedro Pereira Tenório, Faysal Şaylık, Tufan Çınar, Murat Selcuk, Ibrahim Halil Tanboğa, Cristian Rodrigues do Nascimento

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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TopicsCardiovascular Health and Disease Prevention · Blood Pressure and Hypertension Studies · Cerebrovascular and Carotid Artery Diseases
Ao Editor,
Lemos, atentamente, o artigo intitulado: "A relação entre a razão ácido úrico/albumina e a espessura média-intimal da carótida em pacientes com hipertensão", cujo objetivo foi investigar a associação da relação ácido úrico/albumina (RUA) e a espessura média-intimal carotídea (EMIC) em pacientes hipertensos.^1^ Embora o presente estudo tenha demonstrado uma correlação significativa entre RUA e EMIC, com a RUA apresentando maior capacidade discriminativa para valores aumentados de EMIC do que ácido úrico e albumina isolados, e do que os demais marcadores inflamatórios analisados no estudo, como o índice de inflamação imune sistêmica (IIS), a razão neutrófilo/linfócito (RNL), a razão plaqueta/linfócito (RPL) e a razão proteína C reativa/albumina (RCA),^1^ alguns aspectos observados, na leitura do artigo, são dignos de nota.
A classificação dos pacientes em grupos de EMIC aumentada e normal utilizou, como ponto de corte, um valor de 0,9mm, em consonância com o valor de normalidade preconizado nas diretrizes da European Society of Cardiology (ESC).^2,3^ Essa simplificação, no entanto, pode levar a erros de classificação em diferentes populações e faixas etárias, nas quais valores semelhantes podem estar dentro da faixa de normalidade.^2^ Isso foi evidenciado por Homma et al.,^4^ mediante o achado de que no envelhecimento o aumento da EMIC pode ser decorrente de um processo de espessamento intimal difuso e não, necessariamente, da formação de placas ateroscleróticas. Diante disso, consideramos importante a estratificação da população estudada por sexo, idade e etnia, tendo em vista a existência de variabilidade entre esses indivíduos, o que pode influenciar uma subestimação dos resultados.
No posicionamento de Ultrassonografia Vascular do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019,^5^ recomenda-se que após aquisição dos dados numéricos da EMI, os valores médios devem ser comparados com valores de referência já existentes, de acordo com as tabelas normativas dos estudos ELSA-Brasil, CAPS ou MESA. A decisão sobre qual tabela utilizar dependerá do gênero, idade e etnia do indivíduo. Deve-se acrescentar na conclusão se a medida se encontra acima ou abaixo do percentil 75, além da tabela utilizada com sua referência bibliográfica. Sendo assim, o ponto de corte utilizado na metodologia pode levar a viés de confusão.
Não obstante, não foi descrito nos grupos a presença de placa carotídea ateromatosa, visto que a identificação da placa é o principal reclassificador de risco cardiovascular. Além do mais, a classificação do estágio da hipertensão no grupo selecionado, conforme a Diretriz de Hipertensão Arterial 2020,^6^ confere um maior risco para lesão de órgão alvo quanto mais elevado os níveis pressóricos, além de maiores disfunção endotelial e remodelamento vascular arterial.
Conforme evidenciado na metodologia, foram excluídos do estudo pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão secundária, doença cardíaca valvular moderada a grave, doença arterial coronariana, doença renal ou hepática crônica, malignidade, infecção ativa, doença inflamatória crônica, além daqueles que tomavam medicamentos que afetam os níveis séricos de ácido úrico e/ou albumina e aqueles em desnutrição.^1^ No entanto, observamos que indivíduos acometidos por doença arterial obstrutiva periférica não foram inseridos nos critérios de exclusão da pesquisa, o que pode confundir os resultados apresentados, uma vez que as evidências acerca da correlação entre a deterioração aterosclerótica da parede arterial em territórios vasculares periféricos e o aumento da EMIC, já têm sido demonstradas há algumas décadas.^7^ Faz-se necessária, portanto, a consideração dessa comorbidade entre os critérios de exclusão para uma melhor análise dos resultados obtidos no estudo.
Compreendemos, também, necessária a estratificação dos pacientes diabéticos incluídos no estudo em relação à terapêutica antidiabética utilizada, tendo em vista o seu potencial de reduzir a EMIC. Tal efeito foi demonstrado, a título de ilustração, em estudos que analisaram fármacos, como liraglutida^8^ e metformina.^9^ Devido a esses aspectos, estratificar os indivíduos em relação ao hipoglicemiante utilizado, ao tempo de tratamento e à dose empregada, desponta como fator relevante para uma melhor interpretação da associação RUA e EMIC.
Por fim, já se encontra bem estabelecida a relação entre diabetes mellitus e calcificação vascular,^10,11^ o que ocorre, entre outros aspectos, pela exposição prolongada das fibras musculares lisas da túnica média à hiperglicemia.^12^ Devido a isso, infere-se que o tempo de doença apresentado pelos indivíduos acometidos por diabetes mellitus pode ser um preditor desse processo, além do que a esclerose calcificante da média pode ser mais um confundidor dos resultados apresentados, justificando, pois, a necessidade de estratificar os pacientes diabéticos segundo o tempo de doença.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
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