Influência da Genética no Desenvolvimento da Hipertensão

Abstract
Genes, proteins, chemicals, diseases, species, mutations and cell lines named across the full text — each resolved to its canonical identifier and authoritative record.
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TopicsBirth, Development, and Health
A hipertensão arterial sistêmica primária é uma das doenças mais comuns em todo o mundo, estimando-se que afete 20% das mulheres e 25% dos homens.^1^ É um fator de risco para metade das dez principais causas de morte, incluindo a líder do ranking, doença cardiovascular, seguida de doença cerebrovascular e renal.^2^ Há muitos anos, grandes esforços vêm sendo feitos para desvendar os mecanismos que contribuem para esta condição que - apesar de silenciosa - pode ser devastadora. Alguns advogam que a hipertensão não é uma doença, e sim uma síndrome, que apresenta etiologia individual variada e tem como sinal comum a elevação da pressão arterial.^3^ Alguns fatores previamente associados à hipertensão primária já são bem estabelecidos, por exemplo obesidade, tabagismo, desequilíbrio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), estresse mental, entre outros.^4^ Os fatores genéticos, no entanto, têm influência vaga e complexa no desenvolvimento da hipertensão. Apesar de vários estudos dedicados ao esclarecimento do o assunto, seu caráter poligênico torna cada caso único no que diz respeito ao impacto de cada fator predisponente. Vários polimorfismos em diferentes genes foram apontados como correlacionados com hipertensão,^5^ incluindo o polimorfismo C825T da subunidade β3 da proteína G (GNB3) (rs5443:C>T). As proteínas de ligação a nucleotídeos guanina (proteínas G) são expressas na maioria dos tecidos humanos e funcionam como transdutores em vias de sinalização intracelular, regulando uma ampla variedade de processos fisiológicos. O alelo 825T foi previamente associado à hipertensão e à obesidade; no entanto, alguns estudos foram controversos e as frequências do alelo T diferiram entre diferentes etnias (fT≈0,8 em africanos negros, fT≈0,45 em asiáticos e fT≈0,3 em brancos).^6^
O estudo de Agostini et al.^7^ teve como objetivo caracterizar uma amostra de 155 hipertensos brasileiros para avaliar a prevalência do polimorfismo C825T e correlacioná-lo com características clínicas.^7^ Diferente da maioria dos estudos,^8^ o grupo não encontrou associação entre a genética variante e hipertensão. A identificação e seleção dos hipertensos basearam-se exclusivamente em dados de entrevistas em prontuários (uso ou não de medicamento anti-hipertensivo e registro ou não registro de diagnóstico prévio), o que pode ter interferido em seus achados. Além disso, foi demonstrado anteriormente que a frequência do alelo T pode variar entre as etnias, assim como a prevalência de hipertensão. Dessa forma, embora a ideia de caracterizar geneticamente a população brasileira como uma unidade seja interessante, a população brasileira é uma das mais heterogêneas do globo. Portanto, olhar paralelamente para os grupos étnicos de forma separada, poderia enriquecer a análise. O perfil metabólico também foi comparado entre os grupos e encontrou associações positivas de hipertensos apresentando o polimorfismo com níveis mais elevados de triglicerídeos, glicose, ácido úrico e obesidade, semelhantes a relatos anteriores. A elucidação das vias da hipertensão é um assunto muito complexo, especialmente no que diz respeito à genética, pelo que cada esforço para identificar fatores predisponentes acrescenta uma nova peça valiosa a este quebra-cabeças.
A conscientização sobre o valor da avaliação genética na assistência médica no Brasil ainda está longe do ideal em diversas áreas, inclusive na cardiologia. Além da barreira do seu alto custo, existe a ideia comum de que o perfil genético não gera impacto significativo no manejo clínico. Ainda que a pesquisa caminhe frequentemente com pequenos passos, toda contribuição é de extrema importância e deve ser incentivada. O grupo de Agostini abordou uma das condições mais impactantes do mundo e trouxe grande conhecimento do ponto de vista genético – um campo no qual pesquisadores e profissionais de saúde brasileiros estão em fase de desenvolvimento e necessitam incentivo para explorar. Nesse contexto, independente dos possíveis achados finais, seu estudo significa contribuição valiosa e inovadora para a comunidade científica brasileira.
The reference list from the paper itself. Each links out to its DOI / PubMed record.
- 1Mills KT Bundy JD Kelly TN Reed JE Kearney PM Reynolds K Global Disparities of Hypertension Prevalence and Control: A Systematic Analysis of Population-Based Studies from 90 Countries Circulation 2016134644145010.1161/CIRCULATIONAHA.115.01891227502908 PMC 4979614 · doi ↗ · pubmed ↗
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- 3Manosroi W Williams GH Genetics of Human Primary Hypertension: Focus on Hormonal Mechanisms Endocr Rev 201940382585610.1210/er.2018-0007130590482 PMC 6936319 · doi ↗ · pubmed ↗
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- 6Rosskopf D Busch S Manthey I Siffert W G Protein Beta 3 Gene: Structure, Promoter, and Additional Polymorphisms Hypertension 2000361334110.1161/01.hyp.36.1.3310904009 · doi ↗ · pubmed ↗
- 7Agostini LC Silva NNT Lopes ACF Melo AS Bicalho LSM Almeida TC G Protein Subunit Beta 3 (GNB 3) Variant Is Associated with Biochemical Changes in Brazilian Patients with Hypertension Arq Bras Cardiol 202312012 e 2023039610.36660/abc.2023039638126445 PMC 10789371 · doi ↗ · pubmed ↗
- 8Siffert W G-Protein Beta 3 Subunit 825T Allele and Hypertension Curr Hypertens Rep 200351475310.1007/s 11906-003-0010-412530935 · doi ↗ · pubmed ↗
